quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sono

Uma boa amiga me lembrou, minutos atrás, que eu tenho um blog. Nas palavras dela, vim "tirar um pouco o pó do coitadinho". Como quase se tornou cliché aqui nesses textos, ultimamente tenho estado tão corrido que mal posso guardar alguns momentos para contemplar a vida, reciclar a mente e comer bolachas. Não necessariamente nessa ordem.

Quando entrei na faculdade, pensei em todas as coisas boas que a vida estava me reservando. Amigos, diversões, conhecimento, conquistas. Realmente, encontrei tudo isso! Mas também encontrei muitos, muitos problemas inéditos. Nunca antes tive que ser tão organizado, tão meticulosamente preciso em minhas ações. Nunca antes uma piscada no momento errado poderia arruinar um trabalho de semanas, quem sabe uma carreira acadêmica. Nunca antes tive tanto medo por poder falhar.

Mas como também finda o dia, esse texto tem que terminar. Como disse, vim só tirar o pó. Relatos completos e dignos de uma boa leitura ficam pra... uma outra hora. Em breve, espero eu!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um desejo

Tirei hoje uns poucos minutos para, não mais que levemente, me perder um pouco pela nuvem baixa que é a internet. Encontrei uma imagem interessante:



Legal, não? A imagem original é bem maior, vocês podem encontrá-la neste link.

Algumas pessoas apreciam a arte pela arte. Outras gostam de uma combinação harmoniosa de luz e sombras. Tem gente que curte a disposição das cores. E até alguns que primam pela forma. Agora, falando mais subjetivamente, diversas impressões podem ser tiradas dessa imagem. Perigo. Medo. Majestade. Quem sabe, até, sacrifício. Por mim, aponto algo que é cada vez mais raro, respeitável e desejado.


Coragem.


Que ela sempre exista!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Feeling blue?

Heh, hoje o dia foi um marasmo sem fim, mas eu culpo o calor. Não é fácil aguentar os quase 40 °C de Cuiabá! Felizmente, sempre tenho meu alívio-instantâneo-de-todas-as-dores-e-problemas. Tem um link pra ele ali do lado, mas coloco aqui também:

Filosofia de Vida?

Pode conferir sem medo. A musiquinha prende na porcaria da aracnóide e não sai nem com reza brava, mas vale pela besteira que é ouvir uma auto-ajuda express :P Eu ia colocar um looooooongo post a respeito de mim mesmo, da vida, do universo e tudo o mais, mas fiquei entretido com uma alma resplandecente. Fica pra outro dia então!

"Do what you want cause a pirate is free, you are a pirate..."

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Furando a noite...

Tudo bem, tudo bem. Eu sei que só apareço por aqui uma vez a cada dois ou três ciclos lunares. Mas para pagar uma promessa, mostrar que estou vivo e dar um pouco de consideração à este que me é um "lugar" tão querido, vim aqui pixelar umas palavrinhas. Afinal de contas, hoje meu coração bateu mais forte! Não é todo dia que isso acontece. E não, não é uma boba paixonite ou um flerte bem dado.

É coisa forte!


Mas minha inspiração hoje não veio! Não para escrever um texto, pelo menos. Talvez para ouvir boa música, quem sabe dormir com mais serenidade... sim, é uma boa madrugada para isso! Later, everyone!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Intervalo

Hah! É quase impossível entrar na internet com calma o suficiente pra pensar num texto, numa frase que for. Mas eu sabia da falta de tempo quando prestei Medicina. Mesmo assim, hoje é meu aniversário! Joguei umas tarefas para o alto e dei um pulo aqui no laboratório da facul. Muito lixo eletrônico na caixa de e-mails e adoráveis recados no orkut... Gosto disso nas datas especiais: te ajudam a conhecer melhor as pessoas. É gostoso ver que algumas pessoas lembram de você, e que algumas conseguem deixar sentimentos tão bons e grandes, em tão poucas linhas pixeladas. Um abraço a todos :3~

E agora, voltar ao estudo!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Newborn

Meu último post foi em 21 de Fevereiro. Naquele dia, eu empacotava livros, embrulhava roupas e me preparava para mais uma longa viagem com a casa nas costas, daquelas que prenunciam grandes mudanças. Meu primeiro passo além da porta da sala, embora fosse apenas o início de outra jornada, significou muito. Não tenho como colocar aqui tamanho significado! Mesmo que pouco mais de 40 dias tenham passado sob este céu, toda uma vida separa esse post do último. Vou tentar sintetizar as coisas aqui, pois tempo livre me é um luxo distante :P~

Moro a poucas quadras do Hospital das Clínicas de Marília e, consequentemente, da FAMEMA, onde eu estudo. Tenho um apê só pra mim, o que é bom, pois nele mal cabe eu. Não tenho panelas ou fogão, por isso concluí agora minha maestria no microondas e na sanduicheira (faço até ovos mexidos com essa dupla!). Acordo quase todos os dias bem cedo - oito da manhã é cedo - e chego em cima da hora na faculdade, morando a menos de 2 minutos a pé dela. Ocasionalmente vou treinar algum esporte comum (como natação) ou alternativo (como xadrez) mas nunca me esforço além dos limites - no caso do xadrez, paro com 3 derrotas ou quando as peças começarem a apontar pra mim e rirem, o que vier primeiro :P Vou à conferências, e por vezes durmo nelas. Presencio várias reuniões, e em algumas a minha mente foge para longe, indo para aquele lugar feliz único à cada um de nós. Vou ao teatro sem ter certeza de qual peça verei, caio de penetra em festas sem saber como faço pra voltar pra casa, como sanduíches no telhado de um prédio vizinho na hora do almoço e pinto meu apê com músicas por falta de tinta. Ah, hoje eu reverencio o Kapeta (é com "K" mesmo :P) por também ser um. E pintar o cabelo de vermelho já não parece uma idéia tão ruim!

Que mais posso dizer? Só nessas letras não dá pra representar o que é ter vida nova!

Gritar KATRACÁ sim, ajuda um pouco!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Inté, Caldeirão

Na corrida da vida, dou um pulo aqui pra ver as novidades, checar recados, dar Ois e Tudo Bems e ver como a vida longe de mim corre da mesma maneira que a vida perto de mim. Num passo mais ou menos igual. Uma oitava de diferença, no máximo!

Qual a medida do passo? Bom, depende de como a vida corre. A minha tem ido a km/s nos últimos dias, mas antes disso, eu dava tchau pro traseiro da tartaruga...

Agora que vou me mudar (pra bem, beeeem longe) fiquei surpreso ao pegar um sentimento de saudade escapando pela janela do quarto. Acho, realmente, que vou sentir falta da minha vida aqui. Foi uma vida curta e atribulada... um ano e um pouco mais de sincera vadiagem e pouco caso perante as responsabilidades, mas ainda era eu, mesmo que fosse um eu ligeiramente irritante. Bom, na época, não dei bola. Vadiagem, como já disse.

Vou sentir falta mesmo de ficar espiando os vizinhos do prédio do outro lado da rua. Sou míope e não tenho binóculos, mas é divertido fantasiar que aquele cara servindo macarrão no prato na verdade está fatiando a sogra em um ataque de nervos. Ou que aquela mulher, do segundo andar, está fugindo de leões imaginários enquanto treina na esteira. Diacho, uma silhueta na sacada, a 30 metros de distância, pode ser um Moai perdido da Ilha de Páscoa!

Hum, agora tudo faz sentido... Vivi em Cuiabá com o espírito do Menino Maluquinho, e agora estou indo embora, no auge da panela...!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Beloved Thirteen

Chega o momento na vida de uma pessoa em que ela tem que fazer três coisas essenciais: Olhar para trás, para descobrir o que conseguiu até ali; viver o agora, e aproveitar a dádiva que esse momento é (por isso o nome, presente) e imaginar o futuro, carregando de esperanças os planos já feitos.

No meu caso, esse "momento epifânico" durou bastante. Estive, por muito tempo, olhando para o meu passado, achando insuficiente minhas conquistas, e desejando voltar à época em que elas vinham facilmente. Houve dias em que me perdia em divagação e uma nostalgia amarga tomava conta de mim, pois os tempos passados eram sempre tão brilhantes, contrastando com o cinzento presente. Passei a viver nele, então. Concentrando-me no agora, cansado de ficar repetindo "se eu pudesse voltar no tempo..."! Eu precisei de um novo começo, nova energia, um novo eu! Mudei minhas atitudes e opiniões, sempre refreando o desejo de voltar a viver no passado.

E agora, penso no futuro. Eu poderia dizer que é engraçado como uma aprovação no vestibular muda a vida de alguém, mas eu não seria o único. Tenho certeza de que mudou a vida de muita gente. Mudou a minha, agora. Ser aprovado me trouxe para o futuro, um futuro, espero, cheio de boaventurança!

E quem diria, foi numa sexta-feira treze!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Atendendo ao Projeto Missy

Saiu a lista da primeira chamada da Fuvest. Crap. Quem sabe na segunda chamada? E ainda tem a Unicamp, amanhã. Dedos cruzados!

Sabe, cometi o erro, hoje, de dizer para uma amiga que a Unicamp era minha última esperança. Acho que estava meio abalado pelo resultado da USP - já encarei listas de convocados mais de 12 vezes, sem ver o meu nome, e ainda não consigo me acostumar - mas aqui me corrijo: última esperança my ass! Não acaba enquanto a cobra não piar. E tenho dito!

Falando em acabar, terminei ontem de ler A Cabana. Embaralhar minhas noções teológicas e jogar tudo pro alto era o que eu precisava... "Graças a Deus que sou ateu", não é? Mas recomendo a leitura, quer você tenha alguns buracos no coração, quer não. Pode não mudar sua maneira de viver, mas sempre vale a pena sentir (ou ler sobre) amor verdadeiro, sem nem um dedinho de Hollywood no meio. Se você tiver filhos, então a leitura é obrigatória. Sério, meu pai leu e eu nunca vi alguém fazendo tanta força pra não chorar na casa dos outros. Aliás, se você quer entender o título do post, leia o livro. Só estou fazendo minha parte :P

E não, não vou mais escrever sobre biscoitos. Valeu por me avisar sobre o quanto isso é idiota, Fê! =3~

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Receita de Biscoito

Passei quase 2 meses fora de casa e, desde que voltei, tenho pensado no que escrever aqui. Um simples "Oi! Voltei!" não parecia ser bom o bastante, então me dei de presente uns 3 dias de muito ócio improdutivo (o melhor tipo, mas não recomendo!)pra tentar tirar uma impressão escrita de tudo o que me aconteceu nesses quase-dois-meses-fora-de-casa. Acabei decidindo que era melhor deixar isso de lado. Tive descanso, tive trabalho, compartilhei alegrias e dividi tristezas. Não jurei nenhuma resolução de ano novo - ao meu ver, a procrastinação suprema - mas pulei as sete ondas só pra dar risada (e chutar água salgada, gelada e com traços de sidra barata nos meus primos, é claro). E não, não fiquei esse tempo todo de férias, que, aliás, foram mais curtas que o normal, mas isso não é assunto pra agora. Vim escrever sobre algo diferente. Algo como...

Biscoitos.

Misturando, enrolando e assando 400g de farinha, 125g de açúcar e 300g de manteiga, você consegue uma bela fornada de biscoitos. Crocantes, saborosos e aceitos daqui até o Turcomenistão, biscoitos não só matam a fome com facilidade, mas pisam nela e a chutam até um buraco escuro e fundo. Biscoitos podem ser usados também para transmitir mensagens; um singelo "Eu te amo", um sonoro "Hora do rango!" e, em lugares públicos, algo como "Sinto muito, essa é a única sobremesa, o de baunilha é mais caro, coma logo e vá embora". Seria maravilhoso poder usar pequenos biscoitos como moeda de troca, mas seria também um esforço tremendo não colocar a mão no bolso e saborear aquele troco do lanche, depois do lanche. Falando em lanche, biscoitos salvam vidas também. Escoteiros perdidos na floresta podem utilizar biscoitos (ricos em ferro) magnetizados para encontrar o norte; uma vítima de acidente de carro pode usar biscoito pulverizado (rico em açúcar) para estancar um sangramento. Um biscoito bem mirado (rico em crocância) pode atordoar momentaneamente um chihuahua enfurecido.

Tão variada quanto o biscoito é a receita-irmã: a bolacha. Troque açúcar por sal.

Pra quê tudo isso? Sabe aquele ditado, o "as aparências enganam"? Então, sempre achei ele muito insosso. Ah, isso me lembrou algo... use fogo moderado, e espere os biscoitos ficarem douradinhos. Se o seu forno for um Krakatoa em miniatura, como o meu, use fogo baixo e intermitente, abrindo a tampa de vez em quando pra massa não torrar. Senão, ela só vai servir pros chihuahuas...

domingo, 2 de novembro de 2008

Nota

O Blogger realmente é o inimigo número 1 da praticidade e da estética escrita. Maldito seja.

Ah, adicionei marcadores para facilitar a visualização das coisas que realmente importam! Isso aqui tava meio esculhambado mesmo ;P Mais tarde eu arrumo o resto.

Novo Fôlego

As pernas queimavam, mas não paravam. O peito ardia, parecia vazio, mas ainda pulsava. Leon corria. Corria por sua vida, corria pelo seu medo, corria sem parar. Não fosse seu estado de pânico irrefreável, agradeceria à sorte. Não encontrava curvas ou obstáculos, nada que o impedisse a corrida. Encontrava longos corredores, extensas galerias vazias, onde seus passos ecoavam freneticamente contra o chão, e sua respiração ofegante voltava aos seus próprios ouvidos como um suspiro chiado do fim da vida. Sim, Leon agradeceria à sorte. Mas ela não estava do seu lado. Sequer estava por perto. Leon deveria agradecer ao Castelo. Pois o Castelo era...

...vermelho.

Leon tropeçou. De repente, o chão se aproximou, mais rápido do que ele gostaria. Caído no chão de pedras lisas, polidas de uso, Leon esfregou a testa latejante, apertando os olhos contra a dor aguda. Abriu-os, olhando para trás, mas todo o caminho que fizera até ali era plano e uniforme. Em nada havia no que tropeçar. Voltou-se, lenvantando cambaleante, praguejando a má sorte. E isso, estranhamente, deu resultado. Um resultado, pelo menos. Leon sentiu-se ligeiramente mais livre, como se uma tensão ao redor dele tivesse sido aliviada. Ele não sabia por que, mas tinha a impressão de que era observado com uma certa... aprovação. Abanou a cabeça, afastando o pensamento e pagando por isso com um novo latejamento na testa. A porta estava próxima, mas Leon não corria mais. Andou até a saída, já livre do medo. Aliás, por que tivera tanto medo? Era só um velho, por Deus! Que mal podia fazer? Leon havia perdido a noção do tempo enquanto corria. Embora isso não fizesse muita diferença. Era eternamente crepúsculo nas altas janelas e espaçosas sacadas.

Perdido em pensamentos confusos, sentiu fome enquanto atravessava a porta. Na próxima sala, uma pequena e bem iluminada saleta de jantar, a mesa estava servida. Leon já esperava por isso. Sempre que sentia forme, encontrava comida. Quando sentia sede, achava bebida. Se estava cansado, encontrava... ele preferia não pensar no assunto. Resolveu explorar a nova saleta. Era menor, muito menor do que os grandes salões de banquete que encarara antes. E muito mais simples. Uma pequena mesa de quatro lugares, feita de madeira simples e robusta, sem adornos ou panos, com pequenos bancos ao redor. Não havia decoração ou luxo nas paredes e no teto, e no chão, nada mais que um punhado de palha jogado num canto. Se não soubesse que estava em um castelo, Leon diria estar numa simples choupana, por mais que fosse feita de pedra e apresentasse seteiras no lugar de janelas. Sentiu na mudança uma provocação. Era como se estivesse sendo punido por mau comportamento. A sensação de que estava sendo observado não cessava; aumentava. Tentou ignorá-la. Sentou-se em um dos banquinhos e fez uma refeição frugal, mas boa o bastante. Boa como... como o quê? Os nacos de queijo curado e os pedaços de pão fresco, juntos da cerveja escura e doce, traziam uma sensação nostálgica. Mas Leon não recordava comer tais coisas desde que acordara no castelo. Aliás, não se lembrava de nada antes daquele momento. Com certeza, teria tido uma vida antes dessa? Teria sido um camponês, talvez um oleiro, e se sentara em uma mesa como aquela, tivera uma refeição como aquela, em algum ponto do seu passado? Teria tido uma vida longe do vermelho?

Enquanto ponderava sobre o vazio de sua memória, os olhos de Leon pousaram sobre um dos outros banquinhos. Era mais robusto que os demais, e parecia ser mais pesado e rígido também. Algum instinto moveu sua mão. Virou o banquinho de ponta-cabeça, e, segurando-o com os pés, puxou uma das pernas. Ela saiu do encaixe com surpreendente facilidade, como se nem estivesse presa. Leon avaliou que daria um excelente porrete improvisado, em uma necessidade. Em uma das pontas do bastão, notou ele, havia pequenas marcas que estiveram ocultas pelo acento. Parecia uma empunhadura, e Leon encarou-a como tal. Sentiu-se mais seguro com a arma inesperada, passou a respirar aliviado. Não podia botar abaixo as paredes do castelo, mas daria cabo de qualquer velhote metido à besta, sim senhor. Preparou-se para seguir em frente, mas parou a poucos centímetros da próxima porta. A sensação, a paranóia, se fora. Não estava mais sendo observado. Não sentia outra presença. Olhou ao redor, mas a saleta não mudara em nada. Recuou. Estava bem após a refeição e o ligeiro descanso, e ainda melhor por ter uma arma. Era feita de madeira e escura e, é claro, avermelhada, mas pelo menos era algo em seu favor. Resolveu aproveitar. Foi até o monte de palha, reuniu-a como pôde e deitou-se sobre ela. Deixou o bastão ao alcance da mão e fechou os olhos. Dormiu quase instantaneamente, mas sem receio ou medo. Ele não sabia, e talvez isso fosse melhor, mas o Castelo não olhava para ele naquele momento.

domingo, 26 de outubro de 2008

CMFH

Burrus, do latim, é um termo que define uma cor escura e triste. Um tom preto demodê, se preferir. Passando do latim para o francês, e juntando com o grego, temos Bureaucratie, ou Burocracia, em bom português. Tem gente que acha que burocracia é um tipo de poder, como a democracia e a monarquia. Não é.

Burocracia é uma coisa maldita from hell.

Essa coisa maldita from hell me custou algumas horas da sexta-feira, outras de hoje, e muitas a contar em toda a minha vida. A burocracia, a partir de agora conhecida como CMFH (Coisa Maldita From Hell) não é um tipo de poder. É um regime de chá de cadeira. Ela cria cargos inúteis e rituais estúpidos. Em um mundo dominado pela CMFH, as filas simplesmente brotam do chão exatamente quatro segundos antes de você chegar ao balcão de atendimento (Que, aliás, só poderia existir numa CMFH. Balcão de atendimento?? Fala sério!). Para provar que existe e está vivo, você precisa lidar com diversos funcionários-miragem (lá de longe, no fim da fila, você consegue ver o infeliz. Quando chega mais perto, ele some) e assinar/frisar/vender sua alma/carimbar uma porrada de documentos com as palavras "petição", "legalidade" e "federativo" por todo o lado e, no final de tudo (Final? Tem um final?), tem que esperar até que uma mulher gorda e deprimente esqueça de ligar para a sua residência avisando que o documento/procuração/contrato com o Capeta/registro está pronto.

Ah, no meio de tudo isso, você tem que pagar cerca de dezesseis taxas obscuras, que financiam você-não-sabe-o-quê e vão para você-não-sabe-aonde. Mas alegre-se! Pagar uma taxa dá a você o direito de... isso mesmo! Pagar outra taxa!

*puff puff* Ok, respirei.

Estive fora por muito tempo e várias coisas aconteceram, algumas dignas de nota, outras não. E mesmo todas elas juntas não são jutificativa para o meu sumiço... mas que seja, o passado é o passado, as eleições acabaram e a vida ganhou uma nova cor. Dessa vez, não tão demodê.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Compras

Hoje foi um dia bem consumista, pelo menos para os meus padrões. Ultimamente não tenho tido muito tempo pra sair da rotina cursinho/clube/casa, e parece que hoje aliviei o peso do tempo gastando minhas escassas economias :P~ Não sou daqueles que gasta com coisas desnecessárias... bom, eu estava mesmo precisando de um teclado novo, o antigo estava pedindo arrego faz tempo. Seja como for, enquanto entrava pouco a pouco no prejuízo, notei uma coisa... instigante.

Fui fazer compras de bandana. Em uma sociedade em que isso está mais ou menos limitado aos amigos íntimos da banda Chiclete com Banana, notei e recebi inúmeros olhares e comentários diretos, não a mim, mas ao lenço vermelho na minha cabeça. Incrível como um pedaço de pano me separou dos outros shoppingnistas a tal ponto que uma mulher chegou a perguntar por que eu usava aquilo.

É mole?

Não vou perder meu tempo analisando os abismos que as pessoas abrem umas entre as outras ou como há preconceito nesse mundo muito, muito malvado. Diacho, ela perguntou por quê.

Eu lá vou saber porquê?!????!

Nos meus tempos de Otaku Infante -um dia defino isso melhor- eu não só estaria usando o raio da bandana como também estaria acompanhado por um feliz grupinho de espalhafatosos Otakus From Hell. Aí eu queria ver a distinta senhora escarafunchar o nariz no porquê.

Ah, lembrei. Coloquei a bandana pra disfarçar o cabelo insone. Eu fazia isso sempre, ano passado. Muito mais fácil que brigar com o pente. E eu odeio bonés. Bonés servem pra tapar o Sol, não a vergonha do cabelo ruim. Até usaria chapéu, mas aí um caboclo ia me aparecer com uma viola de cocho e me chamar pra um (escrevendo como se fala) piléki cum tchá i gaaita. Anhã!

Putz,
eu sempre fico irritado quando vou fazer compras. Mas eu precisava de um teclado novo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Feel the Magic

O Tempo nunca me pareceu tão ausente. Então lá vai mais um post, mais pra dizer que eu estou vivo do que qualquer coisa. Eis uma coisinha legal com a qual eu cruzei na net recentemente:


Take the Magic: The Gathering 'What Color Are You?' Quiz.



Define o blogueiro a mania de fuçar a net atrás de coisas potencialmente interessantes e totalmente inúteis. :3~ Não é adorável?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Adendos

Reagindo a um comentário (Valeu, Phil! Posso te chamar de Phil? :3) e sempre ávido para espalhar a cultura e o conhecimento por esse mundo muxibento, disponibilizo aqui alguns links a respeito da obra de H.P. Lovecraft, mencionada alguns posts atrás :P

Site muito bom com a obra completa do dito cujo, e mais obras de outros autores famosos do ramo, como Edgar Alan Poe, Bram Stoker e afins:

Dagon Bytes

(é em inglês... bom, eu gosto de inglês :3~)

eBookCult
(Em português, mas não tão completa)

Uma paródia muito bem elaborada, escrita por Neil Gaiman, mestre dos quadrinhos:

I Cthulhu

Uma banana dançando:

Banana Uha Ha


Tudo muito rico e imaginativo. Como um picador de gelo enfiado na orelha :3~

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Royal Flush

Uia! Um meme! Pra quem não sabe o que é um meme, aqui vai uma ligeira definição:

Meme é tudo aquilo que você aprende observando outras pessoas. Desde o ato de usar roupas a comer com talheres, um meme é, essencialmente, Macaco vê, macaco faz. Você faz alguma coisa legal, alguém vê, curte, faz igual, outra pessoa vê, gosta, faz igual, enxaguar, repetir.

No mundo dos blogs, meme são os muitos testes/jogos/temas que alguém discute na própria página e convida aos conhecidos (ou mostra aos desconhecidos) a fazer também. Nesse caso aqui, como não tenho nada mais interessante pra fazer além de esperar o download de 56 músicas, lá vai um meme que encontrei:

Que carta de Tarot é você?

Acho que me dei....bem. Sei lá. Eu sou...


You are The Devil


Materiality. Material Force. Material temptation; sometimes obsession


The Devil is often a great card for business success; hard work and ambition.


Perhaps the most misunderstood of all the major arcana, the Devil is not really "Satan" at all, but Pan the half-goat nature god and/or Dionysius. These are gods of pleasure and abandon, of wild behavior and unbridled desires. This is a card about ambitions; it is also synonymous with temptation and addiction. On the flip side, however, the card can be a warning to someone who is too restrained, someone who never allows themselves to get passionate or messy or wild - or ambitious. This, too, is a form of enslavement. As a person, the Devil can stand for a man of money or erotic power, aggressive, controlling, or just persuasive. This is not to say a bad man, but certainly a powerful man who is hard to resist. The important thing is to remember that any chain is freely worn. In most cases, you are enslaved only because you allow it.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.



Dói, mas é verdade, em partes. Será que é só por que eu quero que seja? Talvez. No mais, au revoir~

Kaa-Tuu-Luu

Depois de tantas (Centenas! Milhares!) de menções diretas/indiretas ao clássico de H.P. Lovecraft, Call of Cthulhu, resolvi baixar e ler o dito cujo. Uma rápida visita à Baía virtual dos desesperados-e-sem-dinheiro me garantiu o título no original inglês. (Não posso colocar o nome do site aqui. O Blogger me pega! Mas você sabe a que site me refiro, não?)

Gostei. Gostei muito.

O fato de eu ter "encontrado" tantos ilithids em meus tempos de dados ativos só temperou a leitura. Eu realmente, realmente esperava um ataque mental direto nos pescadores do conto "The Madness From The Sea" -A Loucura Que Vem Do Mar, em tradução livre. Mas acho que os sonhos proféticos e terrores abissais deram o clima. Hey, esse título é praticamente... O Pai das Aberrações :3~ podem me apedrejar agora.

Uma boa pedida para todos que gostam de falar no fim do mundo, teorias conspiratórias e leituras alucinóginas. Enjoy ~

















The Badass Mofo, Cthulhu, no seu resort oceânico.

domingo, 17 de agosto de 2008

A Profecia e o Velho

Pouco a pouco as surpresas deixaram de ser importantes. Na verdade, simplesmente deixavam de ser. Leon já não se surpreendia mais. Era uma certeza que, atrás de cada porta, sempre haveria mais vermelho. No início, se surpreendera com o tamanho aparentemente infinito do Castelo (Era um castelo? Leon supunha que sim. Nunca tinha visto um castelo por dentro, mas imaginava que a arquitetura de pedra, aliada aos móveis rústicos, era o cenário mais propício para ser chamado de "castelo"). E tamanho o Castelo tinha, com certeza. Não era raro o jovem ouvir o eco dos próprios passos. Não que os cômodos fossem vazios, longe disso. Cada corredor, salão e alcova era preenchida com tudo o que - Leon achava - um castelo deveria ter. De armaduras e castiçais a tapeçarias e estátuas, todo o lugar era o sonho de um saqueador: imenso, atulhado de riquezas e, aparentemente, desguardado.

Mas não inabitado. Leon estava lá, e o rapaz encontrara outros. Logo quando havia chegado ao Castelo, tivera aquela estranha conversa, nem um pouco instrutiva, com o Homem Borrado (o borrão no espelho, insistia sua mente). Depois do que pareceram 4 dias - pois era difícil precisar o tempo no eterno crepúsculo - o jovem de cabelos castanhos havia esbarrado, literalmente, em um alto homem escarlate, no meio de um corredor particularmente escuro. Tão escuro que Leon não conseguiu divisar o homem parado em seu caminho, e acabou batendo o nariz no ombro do sujeito.

- Ah! Sinto muito, eu... -disse Leon, recuando uns passos e erguendo as mãos em tom de desculpas - ... eu não vi... o senhor?

O homem alto, quase duas cabeças mais alto que o rapaz, olhava fixamente para a única janela visível, um pequeno quadrado de luz alaranjada perto do teto. Na luz difusa que passava por ele, Leon conseguiu definir seus traços. Um rosto grande e forte, imberbe, com sobrancelhas grossas cobrindo um olhar severo. O cabelo era longo, se perdendo nas sombras das costas. Vestia roupas de um tecido pesado, indistinguível na pouca luz. Ele não pareceu notar que havia mais alguém ali, muito menos que esse alguém tinha esbarrado em seu ombro e agora tentava conversar.

- Senhor? Olá? - Leon se aproximou, cauteloso, e estalou os dedos diante do nariz do sujeito, sem sucesso. O homem nem piscava. - Ei! Você! - Leon se postou diante do homem, abanando os braços freneticamente. Embora não tenha esboçado reação, o homem falou, quase num sussuro:

- Que todos se preparem. O Senhor do Castelo está chegando. - disse isso para ninguém em particular, ainda olhando para a janela. Piscou, abaixou o olhar e seguiu, firme, para uma porta oculta pelas sombras no fim do corredor, deixando um jovem perplexo para trás. Leon o teria seguido, se pudesse, mas algo o tinha perturbado. Não foi
o que o homem dissera, mas como as palavras soaram. Aos ouvidos de Leon, elas eram muito... muito...

- Vermelhas. Como tudo nessa porcaria de castelo. - disse ele, com uma ponta de raiva. Tudo naquele lugar parecia agir para tirá-lo do sério, e Leon começava a imaginar quanto tempo ele aguentaria. Primeiro tinha se encontrado com aquele estranho tão familiar (O borrão, dizia sua mente intrometida, o borrão no espelho) e agora esse altão cabeludo.

Ele gostaria que tivesse parado por aí.

Pouco depois de ter esbarrado com o profético Homem Alto (como Leon passara a pensar nele) o jovem andante chegou a um pátio. Poucas vezes estivera a céu aberto desde que chegara ao Castelo, então aproveitava cada oportunidade como podia. Apoiado na baixa amurada, Leon sentia uma brisa fria que soprava do Oeste - que, pelo menos, Leon achava ser o Oeste. Mas não pôde apreciar a brisa por muito tempo. Havia mais alguém no pátio. Uma figura, agachada junto à amurada oposta, e tão imóvel que o jovem só notou depois de olhar uma segunda vez. Ao se aproximar, percebeu que era um velho... ou parecia ser. Estava agachado, com a cabeça entre os joelhos, estes dobrados junto ao peito. Os braços estavam soltos ao lado do corpo. Leon pôde ver a careca descamada e a pele enrugada do pescoço. Os braços magros, nus, mais pareciam gravetos avermelhados. Usava um robe carcomido, grande demais para o seu pequeno corpo mirrado. Aos olhos de Leon, parecia uma criança usando as roupas do pai. Uma criança terrivelmente velha. Não via seu rosto, mas mesmo assim se aproximou, agachando-se diante do velho.

- Ei, vovô. Acorde. - O velho continuou como estava, uma peça de decoração. Leon pensou em sacudi-lo. Para todos os efeitos, achava que o velho estava apenas dormindo, por mais imóvel que fosse seu sono. O rapaz segurou os ombros do velho suavemente, então estacou. Eram extremamente magros, e frios como gelo. Leon levantou as mãos devagar, recuando. Não sabia se o velho estava ou não acordado, se estava ou não
vivo. Mas sentia-se inquieto. Tocar o velho lhe dera a certeza de que não queria ver aqueles olhos, se é que ele tinha olhos. A brisa tinha ido embora, deixando um silêncio tão denso que Leon sentiu dificuldade em respirar. Recuou devagar, preparado para correr caso o moribundo ameaçasse levantar a cabeça. Chegou até a porta. Sempre havia pelo menos duas portas, às vezes mais, mas sempre havia uma saída. Leon fez uso dela o mais rápido que pode. Só parou de correr seis aposentos mais tarde, incluindo uma longa escadaria em espiral que ele subiu de três em três degraus. Parou apenas para recuperar o fôlego, então correu de novo. Sem ver, sem pensar, ele apenas fugia.

Mas heim?

Faz tanto tempo que eu não entro que o Blogger até mudou de layout... -_-''

Mas essa postagem será perdida em meio às escrituras :3~

Au revoir~